De repente, do nada, surge na sua cabeça um pensamento horrível. Algo agressivo, assustador, talvez de conteúdo violento ou sexual, completamente diferente de tudo o que você é e do que você deseja. E aí vem o pavor: por que eu pensei isso? Será que tem algo de muito errado comigo? Se você convive com pensamentos assim e carrega esse medo em silêncio, respire fundo e leia com calma. Você não está sozinho, isso é muito mais comum do que parece, e ter esse pensamento não faz de você uma pessoa ruim.
O que são pensamentos intrusivos
Pensamentos intrusivos são pensamentos, imagens ou impulsos indesejados que invadem a sua mente sem que você os tenha chamado. Eles surgem de repente, costumam ter um conteúdo que choca ou assusta a própria pessoa, e vêm acompanhados de uma sensação de estranhamento, como se aquilo não combinasse em nada com quem você é. Justamente por isso eles causam tanto desconforto.
Esses pensamentos podem assumir formas muito variadas. Alguns dos mais comuns são:
- Conteúdo agressivo: a imagem súbita de machucar alguém que você ama, de se ferir ou de perder o controle, mesmo sem nenhuma vontade real de fazer isso.
- Conteúdo sexual perturbador: pensamentos de natureza sexual envolvendo situações ou pessoas que provocam repulsa e vergonha em você.
- Medo de fazer algo terrível: a sensação aflitiva de que você poderia, num impulso, fazer algo impensável, como gritar num lugar silencioso ou se jogar de um lugar alto.
- Dúvidas e blasfêmias: pensamentos que vão contra os seus próprios valores, a sua fé ou a sua moral, e que parecem surgir só para te atormentar.
Uma coisa precisa ficar muito clara: ter um pensamento intrusivo não é o mesmo que querer aquilo. O pensamento aparece sozinho, sem o seu consentimento, e o desespero que ele provoca é justamente a prova de que aquilo vai contra tudo o que você é.
Por que eles não definem quem você é
Aqui está talvez a parte mais importante deste texto, então leia devagar. Um pensamento não é um desejo, e não é uma intenção. A nossa mente produz milhares de pensamentos por dia, muitos deles aleatórios, estranhos, sem pé nem cabeça. A maioria das pessoas simplesmente deixa esses pensamentos passarem, como nuvens no céu, sem dar atenção.
A diferença é que, quando um pensamento toca em algo que você valoriza profundamente, ele assusta. E é exatamente esse susto que faz você reagir. Quem se horroriza com um pensamento agressivo é, na verdade, alguém com um senso muito forte de cuidado e de respeito pela vida. O conteúdo que mais te apavora costuma ser o oposto exato de quem você realmente é. Em outras palavras: o pensamento não revela um lado secreto e perigoso seu. Ele revela o que você mais teme, e aquilo que você jamais gostaria de fazer.
Por que tentar afastar só piora
A reação mais natural do mundo é querer empurrar esses pensamentos para longe, tentar não pensar neles, lutar com toda a força para que parem. O problema é que a mente funciona de um jeito curioso, quase ao contrário do que esperamos.
Faça um teste rápido: nos próximos dez segundos, não pense em um urso branco. E aí, conseguiu? Provavelmente o urso apareceu na hora. Isso acontece porque, para checar se você não está pensando em algo, o cérebro precisa trazer aquilo à tona o tempo todo. Quanto mais você tenta suprimir um pensamento, mais a sua mente o mantém por perto.
- A supressão dá importância: ao lutar contra o pensamento, você avisa o cérebro de que aquilo é uma ameaça séria que merece atenção.
- O alívio é uma armadilha: evitar, checar ou buscar garantias acalma por instantes, mas ensina a mente de que o pensamento é perigoso, e ele volta com mais frequência.
- O ciclo se fecha: pensamento, susto, tentativa de afastar, mais pensamento. É assim que algo que poderia passar despercebido vira um ciclo cansativo.
A ligação com a ansiedade e o TOC
Pensamentos intrusivos são uma experiência humana universal, e a imensa maioria das pessoas os tem de vez em quando sem maiores consequências. A diferença não está em ter o pensamento, mas no quanto ele gruda e no sofrimento que ele gera.
Quando a ansiedade está elevada, a mente fica em estado de alerta e tende a tratar esses pensamentos como sinais de perigo real, o que aumenta a aflição. Em alguns casos eles aparecem ligados a características do Transtorno Obsessivo Compulsivo, o TOC, em que viram obsessões persistentes e a pessoa cria rituais repetitivos para tentar aliviar a angústia. Se os pensamentos têm tomado muito do seu tempo, gerado grande sofrimento ou atrapalhado a sua rotina, saiba que isso tem nome, é compreendido pela psicologia e tem tratamento. Vale lembrar que este texto é um convite ao acolhimento e não substitui a avaliação de um profissional, que vai olhar para a sua história única.
Como a terapia ajuda a lidar com isso
A boa notícia é que existe um caminho, e ele costuma ser mais leve do que a luta exaustiva que você talvez venha travando sozinho. O segredo, que parece contraintuitivo, é este: o objetivo não é combater o pensamento nem fazê-lo sumir à força, e sim mudar a relação que você tem com ele.
Na terapia, num espaço seguro e sem julgamento, você pode aprender, no seu ritmo, a:
- Reconhecer o pensamento sem reagir: percebê-lo como apenas um pensamento, um ruído da mente, e não como uma verdade sobre você ou uma ordem a ser cumprida.
- Deixar ele passar: em vez de empurrar ou se agarrar, aprender a observar o pensamento chegar e ir embora, como quem vê um carro passar na rua.
- Reduzir o medo: ao parar de tratar o pensamento como uma ameaça, a própria angústia diminui e ele perde a força com o tempo.
- Cuidar da ansiedade de base: compreender o que mantém a sua mente em alerta e trabalhar as raízes desse sofrimento.
Um profissional acolhedor vai te ajudar a entender que você não precisa ter medo da própria mente. Aos poucos, aquilo que parecia um monstro vai se revelando apenas um pensamento, sem o poder que você imaginava.
O primeiro passo é seu
Se você chegou até aqui, talvez já esteja sentindo um pequeno alívio só de descobrir que isso tem nome, que é comum e que você não está sozinho nessa. Carregar pensamentos assustadores em silêncio, com medo de ser julgado, é muito pesado, e você não precisa continuar fazendo isso sozinho. A Rede Terapeuta Multimídia conecta você a terapeutas e psicólogos acolhedores, que trabalham com ansiedade e com pensamentos intrusivos com cuidado e sem nenhum julgamento, no atendimento online ou presencial. Quando se sentir pronto, dê um primeiro passo gentil: encontre um terapeuta da rede e comece a fazer as pazes com a sua mente.
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