O coração dispara, falta o ar, as mãos formigam e vem a certeza assustadora de que algo terrível vai acontecer. A crise de ansiedade, em sua forma mais intensa o ataque de pânico, é uma das experiências mais amedrontadoras que existem. A boa notícia: ela passa, não é perigosa em si, e há formas de atravessá-la com menos sofrimento.
O que acontece em uma crise
Numa crise, o corpo dispara a resposta de alerta como se houvesse uma ameaça real e imediata, mesmo sem perigo concreto. Daí os sintomas físicos: taquicardia, falta de ar, tontura, tremor, suor, aquela sensação de irrealidade. O mais assustador é justamente o medo dos próprios sintomas, que realimenta a crise. Entender isso já ajuda a não entrar em pânico do pânico.
O que fazer na hora
- Lembre que vai passar: a crise tem pico e cede, geralmente em alguns minutos. Você não está em perigo de verdade, é o alarme tocando à toa.
- Respire devagar: solte o ar lentamente, mais longo que a inspiração. Se ajudar, conte: inspira em quatro, expira em seis.
- Ancore no presente: olhe ao redor e nomeie cinco coisas que você vê, quatro que ouve, três que pode tocar. Isso traz a mente de volta ao agora.
- Solte o corpo: relaxe os ombros, a mandíbula e as mãos. O corpo tenso alimenta a crise.
- Não fuja na correria: sair em desespero ensina o cérebro que aquilo era perigoso. Se puder, fique e atravesse.
O que evitar
Tentar lutar contra a crise ou se cobrar para parar agora costuma piorar. O caminho é o oposto: aceitar que ela está ali, sabendo que é passageira, e ir reduzindo o ritmo. Quanto menos você briga com a onda, mais rápido ela baixa.
Depois da crise
Passada a crise, é comum ficar abalado e com medo de que volte. Esse medo da próxima crise é, muitas vezes, o que mantém o ciclo. Por isso, tratar a ansiedade na raiz, e não só apagar incêndios, é o que traz alívio duradouro.
A crise mente. Ela grita que você está em perigo, quando na verdade é só um alarme desregulado. Aprender a não acreditar nela é parte da cura.
Quando buscar ajuda
Se as crises se repetem, se você passou a evitar lugares ou situações com medo de ter outra, ou se o medo de uma nova crise já limita a sua vida, é hora de procurar um profissional. A terapia ajuda a entender os gatilhos, a desarmar o ciclo do medo e a devolver a sua liberdade. Você não precisa conviver com isso sozinho.
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