O site novo ficou bonito, carrega rápido e finalmente tem a sua cara. Três semanas depois, os contatos caíram pela metade e ninguém entende por quê. Quando isso acontece, quase nunca é culpa do design. É que o site antigo tinha páginas com endereço próprio, algumas delas apareciam no Google há anos, e a troca apagou esses endereços sem dizer para onde as pessoas deveriam ir. O Google continuou mandando gente para portas que não existem mais.

O que se perde de verdade numa troca de site

Existe uma confusão comum entre conteúdo e endereço. O texto sobre terapia de casal pode ser copiado e colado no site novo sem problema nenhum. O que não se copia é o histórico do endereço onde aquele texto morava. Se a página vivia em um caminho terminado em terapia-de-casal e o site novo passou a usar servicos/casal, para o Google nasceu uma página nova, sem idade e sem os links que apontavam para a antiga.

Esse histórico é o ativo silencioso do site. Ele se formou com o tempo de existência da página, com os cliques que ela recebeu e com cada menção externa que apontou para lá, seja o perfil de uma associação, um portal de saúde, uma entrevista ou o cadastro em um diretório. Refazer o site sem cuidar disso é como mudar o consultório de endereço sem avisar ninguém e sem deixar recado na porta antiga.

A boa notícia é que existe uma instrução técnica feita exatamente para esse aviso, ela é simples e é responsabilidade de quem faz o site. O problema é que ela quase nunca é combinada antes, porque a conversa costuma girar em torno de cores e fotos.

O inventário que se faz antes de mexer em qualquer coisa

Antes de aprovar o layout novo, monte uma lista com três colunas. Na primeira, todos os endereços que existem hoje. Na segunda, qual vai ser o endereço equivalente no site novo. Na terceira, se aquela página recebe visita.

Para levantar os endereços atuais, use o arquivo de mapa do site, aquele que costuma terminar em sitemap.xml, e confira com o relatório de páginas do Search Console. Para saber quais têm movimento, olhe o relatório de desempenho dos últimos doze meses e ordene por cliques. Você vai descobrir, quase sempre, que poucas páginas respondem pela maior parte das visitas, e que uma delas é um texto antigo que você nem lembrava de ter escrito.

Repare também nos endereços que aparecem fora do site. O link que está na bio do Instagram, o que está no cartão, o que está no perfil do Google, o que está no rodapé de um e-mail, o que uma revista publicou. Todos precisam continuar funcionando depois da virada, mesmo que o destino mude.

Página que some sem deixar recado não vira erro discreto. Ela vira paciente que clicou, viu um aviso de página não encontrada e desistiu ali.

Redirecionamento página a página

O recado que se deixa na porta antiga chama-se redirecionamento permanente, conhecido pelo número 301. Ele diz ao navegador e ao buscador que aquele endereço mudou em definitivo e informa o novo lugar. Quem clica é levado direto ao destino, sem ver erro, e o histórico da página antiga é transferido para a nova.

A regra é redirecionar cada endereço para o seu equivalente mais próximo. A página de terapia de casal aponta para a nova página de terapia de casal. O artigo antigo aponta para o mesmo artigo no site novo. A página de contato aponta para a nova página de contato.

O erro clássico é mandar tudo para a home. É rápido de fazer e parece resolver, mas entrega a pessoa em um lugar que não responde a pergunta dela, e o buscador costuma tratar esse desvio em massa como uma página que sumiu. Você perde os dois lados, o histórico e a visita.

Quando algum conteúdo realmente vai deixar de existir, escolha o parente mais próximo. Um texto sobre um serviço que você não oferece mais pode apontar para a página que lista os serviços atuais. E se não houver parente nenhum, deixe a página responder como inexistente mesmo, com uma tela que ofereça caminho, em vez de fingir que o conteúdo continua lá.

O que precisa viajar junto com o layout

Site novo costuma ser aprovado pelo visual e entregue com metade da informação do antigo. Antes da virada, confira item por item.

Os títulos de cada página, aquele texto que aparece na aba do navegador e na lista de resultados, precisam ser levados ou reescritos de propósito, nunca substituídos por Home, Página 1 e Sem título. As descrições que aparecem embaixo do título no Google seguem a mesma lógica. Os textos longos, principalmente os artigos, vão inteiros, sem resumo automático que corta parágrafo no meio.

As fotos precisam ser reenviadas em boa qualidade e com a descrição alternativa preenchida, que é o que permite ao leitor de tela e ao buscador entenderem a imagem. O formulário de contato precisa continuar enviando para um e-mail que alguém lê todo dia, com validação de verdade nos campos, e precisa ser testado com um envio real antes de qualquer festa de inauguração.

E os códigos de medição, os que registram visitas e contatos, precisam estar instalados no site novo antes de ele entrar no ar. Site refeito sem medição significa voar às cegas justamente no mês em que você mais precisa enxergar.

A virada, sem susto

No dia da troca, um roteiro curto evita a maior parte dos problemas. Guarde uma cópia completa do site antigo, arquivos e banco de dados, e confirme que ela abre. Publique o site novo com os redirecionamentos já configurados, não depois. Abra, um por um, os dez endereços mais visitados do site antigo e confirme que cada clique chega ao lugar certo. Faça um teste de contato pelo celular, na rede de dados, não apenas no computador do escritório.

Depois disso, envie o novo mapa do site pelo Search Console e peça a indexação da home e das páginas principais. Atualize o endereço no perfil do Google, na bio das redes, na assinatura de e-mail e no material impresso que ainda estiver em uso. Se o endereço de domínio também mudou, e não apenas o layout, informe a mudança de endereço na ferramenta do Search Console e mantenha o domínio antigo pago e redirecionando por pelo menos um ano.

As duas semanas seguintes valem mais que o dia da estreia

Depois da virada, acompanhe quatro coisas com calma. O relatório de páginas do Search Console, procurando por endereços marcados como não encontrados. O relatório de desempenho, comparando os quatorze dias posteriores com os quatorze anteriores. A contagem de contatos recebidos, que é o número que paga a conta. E a velocidade da página, porque site novo às vezes chega mais pesado que o antigo.

Uma oscilação pequena nas primeiras semanas é esperada, o buscador leva algum tempo para revisitar tudo. Queda que passa de um mês, ou erros que continuam aparecendo na lista de páginas não encontradas, pedem revisão dos redirecionamentos. Nesse caso, o conserto costuma ser simples se a lista de três colunas foi feita antes. Sem ela, vira adivinhação.

Quando refazer o site não é a resposta

Vale a pergunta antes do investimento. Se o incômodo é que o site está com cara antiga mas ele traz contatos, talvez a solução seja trocar fotos, reescrever a página inicial e melhorar o caminho até o contato, mantendo a estrutura. Se o incômodo é que ninguém encontra o site, refazer o layout não resolve, porque o problema mora na busca e no conteúdo, não no visual. E se o incômodo é que as pessoas entram e não chamam, o ponto é a clareza da oferta e a facilidade do contato.

Refazer vale quando a plataforma limita, quando o site não funciona bem no celular, quando não dá para atualizar sozinho ou quando o posicionamento mudou e o site continua falando de um trabalho que você não faz mais. Nesses casos, o projeto novo se paga, desde que a migração seja tratada com o mesmo cuidado que o design. Cuidar dos dois lados ao mesmo tempo é o que a Terapeuta Multimídia faz com quem cuida de gente, com 20 anos no mercado digital.

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