Você abriu o site do consultório no notebook, achou bonito e aprovou. Só que quase ninguém chega por ali. A pessoa que está procurando terapia costuma abrir o seu site no celular, em pé no ponto de ônibus, com uma das mãos ocupada, no fim de um dia difícil e às vezes com internet ruim. O que ela encontra nessa tela pequena decide se ela manda mensagem ou volta para a lista de resultados. Este texto é um roteiro de revisão do seu site no celular, item por item, do jeito que dá para fazer hoje mesmo, sem depender de ninguém.
Teste do jeito que o paciente testa
Reduzir a janela do navegador no computador não vale. Pegue o seu celular, desligue o Wi-Fi para navegar pelos dados móveis, e abra o seu site pelo Google, digitando o seu nome e a sua cidade, igual a quem não sabe o endereço de cor. Depois repita o teste com uma mão só, segurando o aparelho como você segura quando está andando.
Enquanto navega, anote três coisas: quanto tempo levou até aparecer alguma coisa na tela, o que você precisou fazer para entender do que se trata e quantos toques até conseguir falar com o consultório. Se o cronômetro passou de quatro ou cinco segundos, se foi preciso rolar para saber a sua especialidade, ou se falar com você exigiu mais de dois toques, já achou o que corrigir. Peça o mesmo teste para duas pessoas que não conhecem o seu trabalho e fique calado enquanto elas usam. O silêncio delas mostra mais do que qualquer opinião.
O primeiro terço da tela faz o trabalho pesado
No celular, a área visível antes de qualquer rolagem é muito menor do que você imagina, e é ali que a pessoa decide continuar. Esse espaço precisa responder três perguntas sem esforço: quem é você, o que você atende e como falar com você. Nome com a sua profissão e registro, a sua especialidade dita em palavras que o paciente usa, a cidade ou a informação de que o atendimento é online, e um botão de contato visível.
O erro mais comum é gastar essa área nobre com uma foto enorme, uma frase de efeito genérica ou um menu que ocupa metade da altura. Foto grande demais empurra a informação para baixo da linha de corte, e frase de efeito que serviria para qualquer profissional não diz nada. Se a sua abertura pudesse estar no site de outra pessoa da mesma profissão sem mudar uma palavra, ela está genérica e vale reescrever.
O botão de contato e o que ele abre
O contato pelo WhatsApp costuma ser o caminho natural de quem está no celular, porque o aplicativo já está aberto no mesmo aparelho. Para funcionar bem, o botão precisa de três cuidados. Tamanho suficiente para o polegar, o equivalente a uns quarenta e quatro pixels de altura, que é a medida usada como piso nos projetos sérios de interface. Posição fixa ou repetida ao longo da página, para que a pessoa não precise voltar ao topo. E um destino certo, abrindo a conversa já com uma mensagem inicial escrita, algo simples como o pedido de informação sobre horários.
Vale conferir também o que acontece depois do toque. Número antigo, link que abre a versão web em vez do aplicativo, mensagem pronta com erro de digitação: são detalhes invisíveis no computador e fatais no celular. Teste com o seu aparelho, e depois peça para alguém testar em um aparelho de outra marca.
Formulário: metade do abandono nasce do teclado errado
Se a sua página tem formulário, ele precisa ser curto e precisa se comportar bem na tela pequena. Nome, e-mail e telefone bastam para iniciar uma conversa, e cada campo a mais cobra o seu preço em desistência. Configure o tipo de cada campo para que o teclado certo apareça, o numérico no telefone e o teclado com arroba no e-mail, porque digitar número em teclado de letras é o tipo de atrito que faz a pessoa fechar a aba.
Valide os dados antes de enviar, com aviso claro em cima do campo com problema, e nunca deixe o botão levar para a página de agradecimento sem checar o que foi preenchido, senão o contato chega vazio e você perde a pessoa sem saber que ela existiu. Depois do envio, mostre uma confirmação visível na tela e diga em quanto tempo você responde. E faça o teste completo pelo celular, enviando um contato de verdade, para confirmar que a mensagem chega na sua caixa de entrada e não na pasta de spam.
Texto que dá para ler sem ampliar
Muita página de consultório usa no celular a mesma tipografia pensada para monitor. O resultado é um texto que exige ampliar com os dedos, e ampliar é o gesto que antecede o abandono. Um bom piso é dezesseis pixels no corpo do texto, com bastante espaço entre as linhas e parágrafos curtos, de duas ou três frases.
Cuide também do contraste. Cinza claro sobre branco fica elegante na tela do escritório e some na rua, no sol, no aparelho de quem já não enxerga tão bem de perto. A referência usada em acessibilidade pede pelo menos quatro vírgula cinco para um de contraste entre texto e fundo, e existem verificadores gratuitos para medir isso em segundos. Texto escrito por cima de foto costuma ser o pior caso, porque o contraste muda conforme a imagem, então prefira uma faixa de cor sólida atrás.
Imagens, vídeo e a conta de dados de quem te visita
Foto tirada no celular tem vários megabytes e vai inteira para a página se ninguém cuidar disso. No 4G, isso significa tela branca por segundos preciosos. Reduza as imagens para a largura que elas realmente ocupam, salve em formatos modernos, deixe a foto principal carregar primeiro e as demais só quando a pessoa rolar até elas.
Olhe também o enquadramento. Uma foto horizontal bonita vira uma faixa estreita na tela vertical, e a sua cabeça pode acabar cortada exatamente no corte do celular. Reserve versões pensadas para o formato vertical das imagens importantes, principalmente o seu retrato. E se houver vídeo de apresentação, não deixe iniciar sozinho com som, porque o toque no volume é o momento em que muita gente simplesmente fecha.
Menu, pop-up e as armadilhas do toque
No celular, todo elemento clicável precisa caber no polegar e ter folga ao redor. Links colados uns nos outros geram toque errado, e toque errado gera irritação. Mantenha a distância entre os alvos e evite listas de links minúsculos no rodapé.
O menu recolhido funciona, desde que abra rápido, feche com facilidade e tenha poucos itens. Já os avisos que cobrem a tela pedem atenção redobrada: no celular, um aviso de cookies mal configurado, um convite para assinar novidades e uma janela de promoção podem se empilhar e deixar a pessoa sem conseguir ler nada. Garanta que o botão de fechar seja visível e funcione no primeiro toque.
Endereço, mapa e a rotina de revisão
Se você atende presencialmente, o endereço precisa estar em texto selecionável, com ponto de referência e uma indicação de como chegar, além do mapa. Mapa embutido às vezes deixa de carregar por mudança do serviço, e quando isso acontece o endereço em texto salva a visita. Confira o link que abre o aplicativo de rotas e confira o telefone, que no celular deve ser tocável para ligar.
Por fim, transforme tudo isso em rotina. Uma vez por mês, abra o site no celular e repita o teste dos três minutos. No Search Console, acompanhe os avisos de usabilidade em dispositivos móveis e a velocidade das páginas, que é onde os problemas aparecem antes das reclamações. Site de quem cuida de gente precisa funcionar na condição real de quem procura ajuda, com pressa, uma mão só e pouca bateria. É esse acerto entre site, Google e WhatsApp que a Terapeuta Multimídia constrói para consultórios, com 20 anos no mercado digital.
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