Existe uma página do seu site que quase sempre é a mais visitada, e quase nunca recebe o cuidado que merece. Não é a home, não é a de valores, não é a de contato. É a página Sobre. Quando alguém pensa em começar uma terapia, antes de mandar a mensagem, antes de olhar horário, essa pessoa quer saber uma coisa muito humana: com quem eu estaria me abrindo. E é na página Sobre que ela procura essa resposta. O problema é que a maioria dos terapeutas transforma esse espaço tão decisivo num currículo, e um currículo é justamente o que não convence quem está com medo de pedir ajuda.

Por que a página Sobre pesa tanto

Escolher um terapeuta não é como escolher um serviço qualquer. A pessoa não está comparando preço ou rapidez, está tentando adivinhar se vai se sentir segura para falar de coisas que talvez nunca tenha dito a ninguém. Essa é uma decisão de confiança, e confiança não nasce de uma lista de formações. Nasce da sensação de que existe um ser humano do outro lado, alguém que entende a dor de quem chega e que não vai julgar.

Por isso a página Sobre carrega um peso que ela mesma costuma desperdiçar. Quem chega ali quase sempre já está inseguro, muitas vezes envergonhado de estar procurando ajuda. Se encontra um texto distante, cheio de termos técnicos e datas de diploma, sente que caiu num consultório frio antes mesmo de marcar. Se encontra alguém que fala a língua dela, que reconhece o que ela está sentindo, respira aliviada e pensa que talvez ali seja um bom lugar para começar.

O erro mais comum: escrever um currículo em vez de gerar conexão

O deslize se repete em quase todos os sites. A página Sobre começa com formado em, pós graduado por, com experiência em, e segue por parágrafos inteiros contando a trajetória acadêmica do profissional. Nada disso é errado, e credibilidade importa. O problema é a ordem e o foco. A pessoa que está lendo não abriu a página para saber a sua história, ela abriu para saber se você entende a dela.

Um texto que só fala de você deixa quem procura sozinho com o próprio sofrimento. Um texto que começa reconhecendo o que essa pessoa vive convida ela a continuar lendo. A formação entra depois, como o que sustenta a sua capacidade de ajudar, e não como o cartão de visita que abre a conversa. Escrever a página Sobre bem é, no fundo, inverter uma lógica: falar menos de quem você é no papel e mais de quem você consegue acolher.

O que a pessoa insegura precisa sentir ao ler

Antes de pensar em estrutura, vale ter clareza da sensação que o texto precisa deixar. Quem lê a sua página Sobre num momento frágil precisa sentir três coisas, e todas elas são mais emocionais do que informativas:

Se, ao terminar de ler, a pessoa sente essas três coisas, a página cumpriu o papel dela, mesmo que você tenha citado uma única formação.

A página Sobre não existe para provar que você é bom. Ela existe para que quem está com medo sinta que pode se abrir com você.

Uma estrutura simples para escrever a sua

Não há fórmula única, e a sua voz importa mais do que qualquer modelo. Ainda assim, uma sequência ajuda a não cair no currículo. Pense em quatro momentos:

O cuidado com o sigilo e com as regras do CFP

Escrever com emoção não significa abrir mão da ética, e a página Sobre precisa respeitar os mesmos limites de sempre. Alguns cuidados evitam problemas e, mais do que isso, protegem a confiança que você está construindo.

Não use casos de pacientes para ilustrar o seu trabalho, nem mesmo disfarçados, porque isso fere o sigilo que é a base da profissão. Evite depoimentos de pacientes e qualquer promessa de resultado, já que garantir cura ou tempo de melhora não é permitido e, no fundo, soa como propaganda de quem não entende do assunto. Fale do processo, não de milagres. Você pode transmitir esperança sem prometer nada, e essa é justamente a diferença entre um texto ético e um texto que assusta. Mantenha o tom sóbrio e verdadeiro, sem sensacionalismo, porque o público que você quer atrair valoriza seriedade. As regras do Conselho não são um obstáculo à conexão, elas são o que dá segurança para quem lê.

Uma boa página Sobre é, no fim das contas, um encontro que acontece antes do encontro. É o momento em que alguém fragilizado decide se vale a pena confiar em você, e essa decisão se apoia muito mais no quanto se sentiu compreendido do que na sua lista de diplomas. Construir uma presença digital em que esse primeiro contato acolhe, gera confiança e respeita a ética da profissão é justamente o trabalho que a Terapeuta Multimídia, com 20 anos no mercado digital e mais de duzentos terapeutas acompanhados, faz ao lado de quem quer uma agenda mais cheia e uma entrada mais humana.

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